Como foi o Recruta Gralha de setembro

Perdeu?
Confere aí um pouquinho do que rolou 😉

Um track nas cores do arco-íris: roller derby pra todas nós!

[Estamos retomando aqui alguns textos escritos pelas gralhas! Esse é da RafaHella, escrito para a série de postagens que fizemos para o 8 de março de 2015 🙂  ]

 

As discussões sobre identidade de gênero e orientações sexuais não podem estar distantes do universo do esporte. Numa semana dedicada a dedicada à luta por direitos das mulheres, nada mais justo lembrar que quando falamos da categoria “”mulher””, não falamos de uma uniformidade: somos muitas e somos várias em nossa forma de ser. Hoje abrimos espaço para as mulheres trans, as mulheres lésbicas e bissexuais. Mas afinal, o que elas tem a ver com o roller derby?

Vamos começar olhando em volta.

Ainda que da década de 1990 para cá a pauta dos direitos das populações LGBT tenha ganhado visibilidade, falar de diversidade sexual ainda é tabu. Ao mesmo tempo em que cresce a tal ““inclusão””, cresce também a reação de setores conservadores que buscam não apenas frear o avanço na conquista de diretos da população LGBT como também retirar aqueles direitos conquistados após muita luta. Tem sido particularmente fácil observar esse movimento no Brasil, é só lembrar do veto ao kit escola sem homofobia e nas discussões sobre o infame estatuto da família. Sabemos também que essa disputa não se dá só nas bancadas do legislativo, mas também está alí na esquina e dentro das nossas casas: não é à toa que o Brasil sustenta altos índices de violência transfóbica e homofóbica.

No esporte não seria diferente. Em 2013 a criação da torcida Galo Queer (do clube de futebol Atlético MG) ganhou as páginas dos jornais por uma atitude corajosa: lutar contra a homofobia nos estádios e tirar do armário a população LGBT que torce, pratica e vive o esporte. A iniciativa não foi recebida de braços abertos pela torcida: dois anos depois, os torcedores relatam ser ameaçados e se veem impedidos de assistir os jogos do time do coração. Triste, não?

No roller derby o cenário parece um pouco diferente, mais amigável e seguro à população LGBT. São diversas as ligas que mantém políticas inclusivas que garantem que suas atletas vivenciem o esporte independente da identidade de gênero e da orientação sexual. Um exemplo é a existência do Vagine Regime, uma comunidade queer internacional que reúne atletas e amantes do derby que acreditam que, mais do que tolerar ou incluir, a diversidade deve ser celebrada dentro e fora do esporte. Dá pra captar o espírito do Vagine Regime no documentário In the turn, dirigido por Erica Tremblay (veja o trailer abaixo). O documentário apresenta algumas estrelas do Vagine, mas tem como ponto alto a jornada de Crystal, uma menina transexual de 10 anos que se viu impedida de praticar esportes com as crianças da sua idade, e que encontra no roller derby um lugar de aceitação e liberdade para ser quem ela é.

Fonte: Facebook Vagine Regime

Fonte: Facebook Vagine Regime

 

As questões de gênero parecem ser uma preocupação constante. Recentemente algumas ligas vem realizando alterações em seus nomes, como a antiga Burning River Roller Girls, que passou a se chamar Burning River Roller Derby. A mudança reflete tanto um movimento de reforçar a seriedade do esporte quanto tornar as ligas abertas para a inclusão de pessoas trans e pessoas não binárias – já que nem todo mundo se identificaria como ““girl””.

O esporte pode ser um espaço valioso para o desenvolvimento pessoal, origem de laços de solidariedade e de identificações positivas. E pertencer a espaços que os aceitem por inteiro é especialmente importante para uma parcela de pessoas que vivencia quase que cotidianamente o preconceito, bullying e a violência. Para a alegria de muitas meninas, o roller derby tem sido este lugar de aceitação e superação.

 

Rafahella #28

 

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O Roller Derby e o poder feminino

[Estamos retomando aqui alguns textos escritos pelas gralhas! Esse é da AssaCyn, que já chegou quebrando tudo, escrito para a série de postagens que fizemos para o 8 de março de 2015 🙂  ]

 

Em nosso dia a dia ainda somos rotuladas como o sexo frágil – aquelas que somente podem exercer tarefas delicadas. Dizem, que quando mulheres se encontram, só sai briga e faísca, que nunca dá certo um local infestado de mulher e acabamos ignorando a força interior que temos e o poder que juntas sempre conseguimos.

Em nosso meio, temos mulheres que já sofreram muito na vida, que se isolaram, que passaram por muitos perrengues, mas que ao descobrirem no Roller Derby e, consequentemente, seu poder interior, conseguiram levar os aprendizados de dentro da pista pra a vida!

Dentro do Roller Derby descobrimos que somos capazes de perder nossos medos e de evoluir constantemente. Descobrimos que não somos de vidro, não somos as meninas frágeis que a sociedade tenta impor. Caímos feio, mas logo em seguida levantamos e tentamos novamente. Temos cada uma um tipo físico e isso é ótimo! E ainda por cima conseguimos descobrir o que esse corpo pode fazer! Que essa perna grossa e essa bunda grande vão fazer que eu bloqueie aquela menina de um jeito que minha colega não consegue fazer. Desvendamos cada músculo e sentimos a dor do exercício físico! Mudamos nossas regras, mudamos nosso pensamento e consequentemente mudamos nosso corpo! E tudo para melhor.

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Saber seus limites, saber que você pode ir além do que imagina, ter equilíbrio em tudo o que faz, ter garra pra seguir em frente e correr atrás da tão sonhada vitória!

Quando nos sentimos para baixo, erguemos a cabeça e lembramos que no final de semana encontraremos nossas Derby Sisters que tanto nos apoiam, que nos mostram com carinho onde erramos e estão sempre por perto para nos ajudar a melhorar. O grupo que se forma, que está sempre junto, unido, é tido pelas atletas como uma família.

O Roller Derby traz à tona a força feminina. Nos devolve o sentimento de irmandade e carinho que um dia acabamos esquecendo que temos pelas nossas colegas.

Temos em mente que nem sempre iremos vencer um campeonato, mas buscamos estar sempre próximas disso.

E, de certo modo, acabamos vencendo. Vencemos nossos próprios empecilhos.

E é assim que as meninas do Roller Derby evoluem, buscando sempre o seu melhor, ajudando umas as outras, tendo respeito e disciplina!

 

Assacyn #32

 

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The Twin City Derby Girls 2012 Travel Team. Photo by Alex Wild.

 

O corpo feminino no Roller Derby

[Estamos retomando aqui alguns textos escritos pelas gralhas! Esse é da Jaypira, escrito para a série de postagens que fizemos para o 8 de março de 2015 🙂  ]

 

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, dia 08 de março, a CWB Force publicará diariamente textos e/ou imagens com referência as derby girls!

Nosso primeiro post fala de um dos principais motivos pelo qual o roller derby cresceu e ainda cresce de forma surpreendente conquistando tantas adeptas: o corpo feminino aceito no esporte.

Você já deve ter ouvido falar que no roller derby não há preconceito e que todos os tipos físicos tem seu lugar, mas por quê?

 

Seja alta, magrinha, gordinha ou baixa você pode começar a treinar. Sabendo ou não patinar, isso não é motivo para não começar. Nunca praticou exercício? Também não é um empecilho. Existem níveis de cada jogadora classificados em iniciante, intermediário e avançado. A iniciante começará primeiramente a se habituar com os patins e seu peso e com o seu corpo e seu ponto de equilíbrio. E, depois de algumas habilidades conquistadas, começa a mudar de nível até estar apta a participar de um treino de contato e, posteriormente, um jogo.

 

Tá mas e os tipos físicos?
Bem, convencionalmente, pode-se dizer que meninas baixas e magras são mais ágeis e dariam boas jammers furando qualquer wall. Mas também tem a alta e magra que pode dar umas poucas e boas passadas e também ser uma ótima pontuadora. Enquanto isso meninas mais fortes e gordinhas podem ser as bloqueadoras mais temidas. Mas atenção: NADA DISSO É UMA REGRA. Em um dado momento do jogo, talvez uma jammer mais gordinha seja importante para conseguir passar por um bloqueio adversário muito forte, da mesma forma que uma bloqueadora magra e ágil possa frear a jammer adversária. O importante é dizer que NINGUÉM chega em uma liga com seu local no track pré-definido. Tudo dependerá do seu desempenho e suas habilidades, não as mínimas que todas devem ter, mas das suas habilidades enquanto sujeito e como as desenvolveu. Também é legal dizer que existem bloqueadoras que não gostam de ser jammer, e vice-versa, se adaptaram bem a uma função apenas, mas também existem jogadoras que jogam nas duas posições tranquilamente e são “aproveitadas” em um jogo dependendo da necessidade do time em uma função ou outra.

Pensando nisso, o fotógrafo Cory Layman está desenvolvendo um projeto com uma série de fotos intitulada Body by Derby, na foto abaixo estão as meninas da liga Southern Illinois Roller Girls. Confira o trabalho dele nos links e perceba que você também tem um lugar no roller derby!

https://www.facebook.com/TheRollergirlProject

https://www.flickr.com/photos/claymanphotography/

 

Jaypira #83

 

By Cory Layman

By Cory Layman

Lugar de mulher é no track: como o feminismo e o roller derby patinam juntos!

[Estamos retomando aqui alguns textos escritos pelas gralhas! Esse é da nossa querida Jams Joyce, escrito para a série de postagens que fizemos para o 8 de março de 2015 🙂  ]

 

Quando fundamos as Blue Jay Rollers, em 2011, praticávamos patinação numa quadra pública, administrada pela Secretaria de Esporte e Lazer da cidade, com horário marcado. Começamos a treinar em poucas pessoas, cerca de cinco ou seis mulheres entre 20 e 30 anos, sempre animadas, fizesse chuva ou sol, esperando chegar o momento de colocar os patins e praticar nossos primeiros passinhos tortos em direção ao roller derby. Um treino que ocorreu nessa época me marcou até hoje.

Ao chegarmos na quadra, reparamos que um time de futebol masculino que treinava no horário anterior se encontrava disposto nos bancos que circundavam a quadra em posição de expectadores. Mal começou o nosso treino e o desrespeito correu solto: os rapazes chutavam a bola para a quadra sem se importar se poderia bater nos patins de alguém, passavam cantadas indesejadas (“ei loirinha, ei gostosa!”), interrompiam nosso treinamento com suas gracinhas e ainda questionaram nosso direito a usar a quadra por sermos poucas e estarmos de patins. Lembro que acionamos a Guarda Municipal, que tem seu postinho no local, mas pouca coisa ou nada foi resolvido. Tentamos dialogar com os rapazes, e novamente nada foi resolvido. Lembro que acabamos nos alterando com todo aquele desrespeito, aquela interação objetificante que sofremos, os comentários que nos desumanizaram, nos transformaram em meros pedaços de carne, sem direito ao compartilhamento do espaço publico, sem direito de praticar nosso esporte. Foi a primeira vez que eu berrei com um desconhecido em público. Essa cena se repetiu inúmeras vezes mais tarde com o nosso time. Resolvemos assumir uma posição combativa frente àquela censura às nossas liberdades enquanto seres humanos e continuamos nos defendendo.

A cultura massificada difundida na nossa sociedade vende uma ideia de feminilidade que exclui a mulher de espaços de convivência e práticas esportivas (consideradas “coisa de homem”). O ideal de mulher caseira, abnegada, dedicada exclusivamente a atividades tomadas socialmente por “ intrinsecamente femininas” como cuidar da própria aparência, da casa, do marido e dos filhos ainda está presente no modo como nosso gênero é visto, retratado, e por consequência, nos influencia. Um estudo realizado recentemente na pós-graduação da Universidade Católica do Paraná com 1600 estudantes concluiu que apenas 9% das meninas adolescentes praticavam atividades físicas suficientes para manutenção da saúde, em contraste com 22% dos meninos. Já outro estudo recente, realizado pela Escola de Saúde Pública de Harvard sobre masculinidade e feminilidade, com a participação de 9.435 adolescentes, aponta que as meninas que se acreditavam mais femininas eram 16% menos dispostas a participar de atividades físicas do que as demais.

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Blue Jay Rollers na Marcha das Vadias Curitiba 2012 – Foto: Nathalia Tereza

Mas que noção restrita de feminilidade é esta cuja influência, querendo ou não, os pesquisadores das universidades estão demonstrando com todos esses estudos? Será que “ser mulher” precisa partir de um conceito tão limitador, tão excludente? Só existe uma forma correta de “ser feminina”, de ser mulher em sua plenitude? Nós do roller derby acreditamos que NÃO!

Nós sabemos que nossa liberdade de praticar um esporte de contato mesmo sendo “mocinhas” e nossa vontade de ir além das noções preconcebidas de feminilidade podem assustar aqueles que não vêem com bons olhos os avanços das mulheres em direção aos tão sonhados direitos iguais. Mas tanto na nossa luta quanto nos nossos treinos existe a ideia de perseverança acima de tudo. Não foi hoje que aprenderam a nos respeitar? Não desistiremos, amanhã pode muito bem ser o dia. Não aprendi a me recuperar corretamente de um hit, ou um knee slide hoje? Se eu não desistir, amanhã pode muito bem ser o dia!

O feminismo e o roller derby têm muito em comum e patinam juntos, pois nos proporcionam ferramentas de auto superação, trazem a ideia de comunidade e cooperação entre mulheres, e nos incitam a ser nossas próprias heroínas, ao invés de nos conformar em ser as donzelas em perigo da história de nossas vidas.

 

Jams Joyce #19

 

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Blue Jay Rollers na Marcha das Vadias Curitiba 2012 – Foto: Nathalia Tereza

 

 

 

Referências:

http://www.papodegordo.com.br/2010/06/11/meninas-percebem-mais-barreiras-para-a-pratica-de-atividade-fisica/

http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/estudo_relaciona_estereotipos_de_genero_a_comportamentos_de_risco_para_cancer.html

Recrutamento de setembro \o/

WOOOOOWWWW!!!!!

Olha só o que tá chegando por aqui! Mais um Recruta Gralha!!! Esse especial e maravilindo!!!! Dia 26/09 às 14h, no Portal do Futuro do Bairro Novo, você vai se encontrar no mundo do esporte!

Você, mulher maior de 18, acima de 20, 30, 40, tanto faz…. Você mulher trans! Você gordinha! Você magrinha! Você! VOCÊ! VOCÊ!!! ESTAMOS TE QUERENDO PRA NOSSA LIGA!!!!

Basta ser maior de idade e ter uma noção do esporte pra começar a distribuir derby kisses por aí! Nem saber patinar você precisa! Sério mesmo! Te damos uma ajuda nessa 😉

Curtiu? Se encaixou nos “requisitos”? Então dá uma olhadinha nesses links:

Informações sobre equipamentos:
https://bluejayrollers.wordpress.com/fresh-meat/
Nosso estatuto: https://bluejayrollers.wordpress.com/estatuto/
E aqui informações gerais sobre o esporte:https://bluejayrollers.wordpress.com/roller-derby/

Leu tudo e ainda está sedento por Roller Derby?

Então preencha o formulário para confirmar sua presença até quinta-feira (24/09) e alguém entrará em contato contigo (confira o spam se passar o contato de email e a caixa outros se passar contato do facebook):
http://goo.gl/forms/P3cgHWtc2u

Sábado, dia 26 de setembro às 14h no Portal do Futuro!!! VEM!!!!
Te esperamos lá, mas sem atrasos, ok?!

recruta de setembro